O Guia do Bom Cervejeiro | Parte 1 [Famílias]

Por 22 de julho de 2016Curiosidades, Gastronomia
Soleira de janela com um copo e uma cerveja EdelWeis, ao fundo temos montanhas na Áustria.

Hallo, Fritz und Fridas!

Uma nova série se inicia aqui no Guia da Oktober: Deem as boas-vindas ao “O Guia do Bom Cervejeiro”. 

Cerveja.

Tem como não amar?

Entender sobre esse líquido divino não é uma tarefa fácil! São tantos estilos, formatos, cores e cheiros.  Tudo isso poderia dar uma tremenda dor de cabeça, mas como vamos falar de cerveja boa, não se preocupe mein freund, estamos aqui para lhe ajudar :D

Nos aprofundaremos um pouco mais nos estilos das cervejas nos próximos posts, hoje será só um breve resumo para todos ficarem sabendo de onde veio e como é o processo de fermentação de cada uma. (:

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Quando nos referimos ao processo de fabricar uma cerveja, temos que ter em mente que existem vários processos importantes e o que levaremos em consideração será a fermentação, pois é nessa parte que a “mágica” acontece.

Durante a fermentação, antes de chegarmos a esse líquido maravilhoso (e abençoado pelos deuses), as leveduras consomem os açúcares fermentáveis do mosto (mix de malte triturado com água elevado a uma determinada temperatura) e geram o álcool, o CO2 (Dióxido de Carbono), os aromas e sabores. O tempo e a temperatura do mosto irão variar dependendo do estilo de cerveja que você procura.

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Prazer, sou o mosto! Foto via: Brew Day MEH

Por fim chegaremos a duas grandes famílias: Ales e as Lagers. Nessa ilustração mostra como é a fermentação dos dois estilos de cervejas.

Cervejas

ALE

A palavra Ale (pronuncia-se “Êiou”) vem do inglês antigo, derivado do alu ou ealu. É praticamente o primeiro tipo de cerveja conhecido pois continha adições de lúpulo na sua composição. As cervejas Ale são bem perceptíveis, sendo muito mais encorpadas e vigorosas. Outra característica dessa família é sua fermentação que acontece em um ambiente de temperatura relativamente alta para este processo (algo entre 15º a 24º ou mesmo mais). Na fase de alta fermentação a levedura sobe à superfície, sendo que o tipo de levedura utilizada é a Saccharomyces cerevisiae. Essa belezura realça sabores mais complexos, frutados e lupulados. Além de variarem de uma marca para outra, vão de doce a amarga e das claras às escuras. Portanto, agora depende muito do seu gosto a escolha do que vai preferir beber.

Um dos legados da Ale é que a “fermentação alta” e natural é utilizada também nas cervejas estilo Lambic, que você verá logo a seguir.


Ale

LAGER

Lager (pronuncia-se láguêrr) é uma cerveja de baixa fermentação. Até o século XVI todas as cervejas no mundo eram da família Ale. Até esse período a cerveja era naturalmente fermentada durante o verão. Como a atmosfera ficava repleta de fermentos selvagens, não era possível fazer cerveja porque ela ficava inconsistente. Então para evitar essa situação os mestres cervejeiros faziam a última fermentação na primavera. A cerveja então era armazenada em porões gelados para maturarem durante o verão.

Já nos alpes, os mestres cervejeiros da Baviera, armazenavam suas cervejas em cavernas congeladas. Observaram que o gelo fazia com que os fermentos se depositassem no fundo do tanque produzindo assim uma cerveja mais clara, transparente e harmonizada. A partir daí surgiram as cervejas tipo Lager.  Todo esse processo de colocar as cervejas para maturarem em temperaturas baixas (como cavernas e adegas) tem o nome de “Lagering“.

Então, em 1953, o neozelandês Morton Coutts revolucionou tudo: ele acelerou o processo de produção da cerveja Lager, embora também tenha produzido uma redução no desenvolvimento de seu sabor. Permitindo assim uma massificação da cerveja que rapidamente se tornou o estilo de cerveja mais popular do mundo.

Lager

 

LAMBIC

Muito populares na Bélgica, mais especificamente da cidade de Lambeek, esse tipo de cerveja possui um processo de fermentação bem diferente dos outros. A cerveja Lambic tem um processo de fermentação espontânea que expõe a cerveja à leveduras selvagens e à bactérias (confira aqui) (ECA!!! Mas não se preocupe fritz, são “bactérias do bem”). Isso é possível graças à exposição do mosto ao ambiente, com paredes úmidas e janelas abertas, em ambientes que permitem a maior circulação de ar e de “bichinhos”.

Como seu processo de fermentação é natural e quase (ou não) envolve um processo industrial (como a pasteurização, por exemplo), a vida útil acaba sendo curta. Tendo de ser consumida em até 6 meses após a fabricação.


lambic

Espero que tenham gostado da primeira parte do “Guia do Bom Cervejeiro”! Nas próximas semanas, falaremos mais sobre as cervejas Lambic! 

Auf Wiedersehen, mein freund!

 

 

 

 

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